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Artigo - De onde vieram as Holandesas Vermelhas e Brancas
Artigo publicado em Março 13, 2017, 10:16:08

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KHW REGIMENT APPLE-RED (EX-96)
4.01 2x 365 16.216kgs de leite com 4,7% gordura e 3,7% proteína

 

A história aponta que em certo momento a raça “holandesa” (gado leiteiro da Holanda) era de pelagens variadas (grande percentual de animais com pelagem vermelha) e sem a existência de animais de pêlo preto. Depois disto as vermelhas e brancas foram discriminadas, passando somente ao final da década de 60 do século passado, por meio da Associações Canadense e Norte-Americana, a serem registradas novamente. Mais recentemente estes animais de pelagem vermelha se tornaram objeto do desejo de muitos criadores.

Mas afinal de contas de onde vieram e como ocorrem as combinações genéticas que dão origem às holandesas vermelhas e brancas que tanto fascinam os pecuaristas? Frank Decker operador da Fazenda Thendara, em New York, de 1918 até 1936, forneceu alguns detalhes sobre esta questão. Decker grande entusiasta do gado holandês adquiriu seus primeiros animais do rebanho de Gerrit S. Miller, um dos primeiros importadores de animais da Holanda (1869-1879), estes trouxeram grande contribuição para a formação da raça holandesa na América. Decker contou a história do rebanho de Miller em várias publicações de 1920. Advogado de profissão, Decker a seu tempo formulou uma explicação plausível para o surgimento do gado holandês vermelho e branco em uma população importada toda preta e branca. Decker escreveu: "Existem poucos registros históricos sobre a população de vacas leiteiras na Holanda antes do final do século XIX, exatamente de quando datam as importações de gado holandês para a América. Naquele tempo, a maior parte do gado da Holanda era composta de animais pretos e brancos. Todavia, alguns exemplares apresentavam pelagem com vários tons de vermelho, amarelo e até cinza. Há relatos de que o preto não se tornou a cor dominante até o final dos anos 1700, quando os holandeses importaram gado da Dinamarca para repor os animais perdidos devido a inundações e doenças".

Outros escritores citam que as pinturas holandesas anteriores ao século XVIII mostram vacas com pelagens de várias cores, mas nenhuma era preta e branca. Pesquisador nesta área, Dr. D. L. Bakker da Universidade de Wageningen (citado no livro de E. Y. Morwick “The Chosen Breed”) examinou muitas pinturas e escreveu em “A History of the Dutch cow” que não se conhecia na Holanda nenhum animal preto e branco antes da segunda metade do século XVIII. O Dr. J.C. Rennie, Professor de Dairy Science da Universidade de Guelph e presidente do comitê da raça holandesa canadense que estudou a questão da cor das vacas na década de 1960, disse em seu relatório à Associação: "Os primeiros registros mostram que gado de diversas cores entrou na Holanda oriundo da Europa Central no século XIII. A maioria destes animais eram de pelagem vermelha e branca. Animais pretos e brancos não eram comuns até o século XVIII. "Todos estes relatos históricos terminam por nos mostrar o que sabemos sobre a herança genética da pelagem na raça holandesa, ou seja, que existe em sua grande maioria dominância da pelagem preta sobre a vermelha.

 

A herança genética da pelagem da Raça Holandesa

Quando norte-americanos e canadenses começaram finalmente registrar os animais de pelagem vermelha (final da década de 60 do século passado), deixando para traz o tempo em que animais que nascessem de outra cor que não fosse o preto e branco eram sacrificados ou enviados para rebanhos leiteiros sem registro, a herança genética conhecida para pelagem das vacas holandesas era a mais simples conhecida: Herança Mendeliana simples com um gene dominante (ED = pelagem preta) e outro recessivo (e = pelagem vermelha), assim sendo, para que tivéssemos um indivíduo de pelagem vermelha seria necessário o encontro dos dois alelos recessivos (e), um vindo do pai e outro da mãe, assim sendo, o animal de genótipo “ee” resultante teria pelagem vermelha e branca. A este tipo de fator vermelho damos o nome de Vermelho Original ou Vermelho Verdadeiro.

No passado do gado canadense temos reprodutores que foram portadores deste tipo de fator vermelho, como Mountvic Rag Apple Sovereign, seu filho A.B.C. Reflection Sovereign e seu neto Rosafe Citatio R (curiosidade: quando do nascimento do primeiro produto deste touro, possuidor de pelagem vermelha e branca, ele foi devolvido pela Curtiss Breeding Service para seu criador que o vendeu para o México, de onde saiu a maior parte de seu sêmen utilizado no mundo), este de grande influência nas linhagens conhecidas de pelagem vermelha e branca. Mais recentemente touros como STBVQ Rubens e Ladino Park Talent, foram importantes reprodutores portadores deste tipo de herança genética. A figura 1 mostra como a genética Mendeliana atua na cor da pelagem vermelha e branca verdadeira.

 


Figura 1- Cruzamento de dois animais pretos e portadores de fator vermelho “ED e”

 

Deste acasalamento resultam 25% de animais pretos e homozigotos dominantes (EDED), 50% de animais pretos, heterozigotos e portadores de fator vermelho (EDe) e 25% de animais homozigotos recessivos e, portanto, vermelhos (ee).

 

Mais fatores que resultam em pelagem vermelha

Tudo seria muito simples se a herança genética da cor da pelagem em bovinos da raça holandesa fosse apenas esta. As coisas começaram a mudar algumas décadas atrás quando os touros Roybrook Telstar e mais propriamente seu filho Hanoverhill Triple Threat- Red, este último nascido em 1972, apareceram na raça holandesa. Quando Triple Threat (que havia nascido vermelho e se tornado preto) foi usado para produzir bezerros vermelhos, alguns dos animais nascidos com esta pelagem começaram a ficar pretos à medida que cresciam... normalmente esta mudança de pelagem ocorria dos 3 aos 6 meses de idade. Entretanto, muitos deles mantinham alguma pelagem vermelha ao redor dos olhos, das narinas, nas extremidades das orelhas e na linha de dorso. Com o passar do tempo os geneticistas batizaram esta condição como pelagem Black/Red. Cabe aqui a ressalva que Triple Threat era também portador do gene recessivo (e) para pelagem vermelha e branca verdadeira, e é por esse motivo que este touro teve inúmeras filhas de pelagem vermelha e branca verdadeira. Assim sendo, Triple Threat tinha genótipo (EBRe).

Alguns reprodutores importantes do passado como Bridon Astro Jet, Hanoverhill Inspiration, Boulet Charles e mais recentemente o touro Emerald-Acr-Sa T-Baxter foram portadores do fator Black/Red. Em termos de dominância, Black/Red domina o vermelho verdadeiro e é dominado pelo preto.

 

HANOVER-HILL TRIPLE THREAT-RED
Pai de 8.936 filhas classificadas no Canadá com 80% B+ ou melhor, sendo 191 EX, 2.639 MB e 4.344 B+.

 

Foto de TRIPLE THREAT jovem (nota-se o vermelho no lombo e narinas, típico dos animais Black/Red)

 

KHW AIKA BAXTER (VG-89 aos 5 anos) Exemplar de Black/Red 5.06 2x 365 18.414 kgs de leite 5,9% de gordura e 3,3% de proteína.

Aika apresenta genótipo (EBR e), onde o “EBR” (gene para Black/Red) vem de seu pai Baxter e o “e” gene recessivo do vermelho verdadeiro vem de sua mãe, irmã materna de KHW Regiment Apple-Red, família esta de grande influência no HVB atual.

 

Portanto, tudo havia sido esclarecido. Os geneticistas haviam decifrado a transmissão e dominância do gene para pelagem vermelha e branca verdadeira e também a da pelagem Black/Red. Até que na virada do século XX para o atual, nova surpresa com o aparecimento do gene batizado de "wild-type" ou “vermelho selvagem”. Este novo fator vermelho teve origem com o touro Aggravation Lawn Boy P-Red, nascido em 2002. Outras fontes desta genética foram as famílias Cherry e Scarlet e genética de procedência Hickorymea. Para que este fator seja visível é necessário o animal ter dois alelos do tipo selvagem, ou um alelo selvagem e o outro vermelho verdadeiro. Quando tais combinações acontecem, o animal nasce vermelho. Todavia, diferentemente do vermelho verdadeiro, esta genética irá produzir animais de tom vermelho mais escuro à medida que envelhecem, principalmente nas extremidades do corpo. Quando falamos em dominância, o vermelho selvagem domina o vermelho verdadeiro e o Black/Red domina os dois.

 


AGGRAVATION LAWN BOY P-RED (EX-93)
Nota-se o vermelho mais escuro na região abaixo das narinas e na parte alta do pescoço.

 


CLOVERLANDS SKYLER CHERRY-RED (MB-87 aos 5 anos)

Exemplar de “wild-type ou vermelho selvagem
4.09 2x 365 23.421 kgs de leite com 3,8% de gordura e 3,1% de proteína

 

Até o presente momento, estes são os genes recessivos que produzem pelagem diferente da preta e branca, sendo que todas elas derivam para o vermelho:

Genótipos possíveis e Fenótipos resultantes:

Cruzamentos possíveis entre animais pretos e brancos e vermelhos e brancos verdadeiros:

 

A descoberta do “Dominant Red ou Variant Red” ou pelagem vermelha dominante

Estaria tudo explicado com recessivos e dominantes no cromossomo 18 não fosse outro gene responsável por cor de pelagem vermelha que hoje sabemos estar localizado no cromossomo 3.

Tudo começou com o nascimento em 1980 da vaca Surinam Sheik Rosabel-Red, este animal era vermelho e branco, embora filha de pais pretos e brancos e não portadores de fator. Inicialmente a Associação Canadense de Criadores da Raça Holandesa questionou a paternidade daquele animal, porém, todos os testes realizados confirmaram que ela era realmente uma filha de Puget Sound Sheik com vaca sem qualquer traço de vermelho em sua ascendência.

Rosabel foi coletada muitas vezes e produziu filhos para centrais de inseminação, entre eles Surinam Treasure-Red *BC (filho de Bridon Astro Jet) e Surinam Trazarra-ET-Red *BC (filho de Agro Acres Marquis Ned). Notou-se um efeito extraordinário na descendência de pelagem vermelha de Rosabel, tanto os machos como as fêmeas eram capazes de produzir progênie vermelha e branca quando cruzada com animais de pelagem preta e animais pretos e brancos quando cruzados com animais de pelagem vermelha.

 


SURINAM SHEIK ROSABEL-RED (MB-85 aos 3 anos)
Primeiro exemplar que se tem notícia de Vermelho Dominante ou “Variant Red”
11.00 2x 365 10.721 kgs de leite com 3,9% de gordura e 3,1% de proteína

 

Em 2011 o projeto liderado pelo Dr. Grahan Plastow da Universidade de Alberta, desvendou a localização do gene e seu modo de transmissão para as gerações seguintes. Este gene atua de forma totalmente independente dos demais genes transmissores de pelagem vermelha e branca na raça holandesa. Na realidade ele atua de forma dominante sobre o gene responsável pela pelagem preta e branca, tornando muito mais fácil a obtenção de animais de pelagem vermelha e branca. Até o presente momento, todos os animais portadores desta genética conhecidos e mapeados geneticamente apresentaram apenas um alelo do gene "Vermelho Dominante", significando que, em média somente 50% de sua progênie nasceu vermelha e branca. Com o crescente interesse nos animais de pelagem vermelha, o desenvolvimento de portadores homozigotos "Vermelho Dominante" seria possível e esses animais produziriam progênie 100% vermelha e branca, independentemente de cor do outro ascendente.

 


STONEDEN FOOLS GOLD RED (MB-88 aos 3 anos)
4.03 3x 365 23.019 kgs de leite com 3,9% de gordura e 2,9% de proteína

 

Exemplar atual de genética Vermelho Dominante ou “Variant Red”, filha de Braedale Goldwyn, touro de grande influência na raça holandesa e sabidamente não portador de fator vermelho em vaca vermelha e branca filha de Comestar Lee (também não portador de vermelho), esta última exemplar de Vermelho e Branco Dominante.

 

Resumo

Resumidamente falando aos amantes dos animais vermelhos e brancos. Na era genômica tornou-se muito mais rápido e fácil usarmos as corretas ferramentas para obtenção dos animais de pelagem vermelha, já que os testes mostram os animais pretos e brancos que são portadores do fator para pelagem vermelha e branca. Seja da forma tradicional de se introduzir o fator vermelho verdadeiro no rebanho através do uso de reprodutores vermelhos ou portadores de fator vermelho verdadeiro, ou da maneira mais moderna através do uso de portadores de genética Vermelho Dominante ou “Variant Red”, a meta de possuir alguns animais vermelhos e brancos no rebanho ficou fácil de ser alcançada.

 

Referências bibliográficas:

-The Red and White gene in Canadians Holsteins, Brian Van Doormaal, 2008

-Researchers identify the “Dominant Red” gene in Holsteins, Brian Van Doormaal, 2013 -Zoetis code color genetics, Zoetis Inc., 2014

-The various mechanisms of Red Colour Transmission in the Holstein breed, Maurice Leduc, 2006

-There is more to breeding Red and Whites than we thought, Corey A. Geiger, 2017

-Red and White Holstein History, Dr. Larry W. Specht, 2007

 

Luís Felipe Grecco de Mello
Gerente Técnico de leite Importado
(47) 9.9929-9952
lfelipe@semex.com.br

Há mais de 40 anos, Luís Felipe de Mello trabalha do setor agropecuário. Médico Veterinário formado pela Universidade de São Paulo (USP), em 1982, possui especialização em reprodução de bovinos e transferência de embriões. Luís é jurado oficial da raça Holandesa desde 1988, de Jersey desde 2004 e de Girolando desde 2013. 

 

 



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